terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pesquisa feita no semiárido nordestino mostra que, de simples ato de ir à igreja, religião se torna atividade repleta de simbolismos.

Agência Notisa - Baseado em uma pesquisa de campo, realizada entre os anos 2000 e 2005 na cidade de Catingueira, na Paraíba, o estudo “Tornando-se adulto: uma abordagem antropológica sobre crianças e religião”, publicado na revista Religião & Sociedade de julho de 2010, analisou as percepções de crianças de diversas faixas etárias acerca das atividades religiosas das quais participam.

A autora Flávia Pires, antropóloga e professora adjunta do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), escreveu o artigo a partir da análise de 297 desenhos e redações produzidos por crianças de três a 13 anos de idade, com o tema “A Minha Religião”. Ela percebeu que a maioria dos desenhos sempre contava com a representação de uma igreja.

Segundo Flávia, a forma como as crianças representavam essa instituição variava de acordo com a faixa etária. “Nos primeiros anos pesquisados os desenhos apresentam a igreja ‘solta’ na folha de papel, sem qualquer outro desenho associado. Com o passar dos anos a igreja vai frequentemente aparecer acrescida de elementos contextuais, dos quais se destaca a cidade que a rodeia, com sua praça, cruzeiro, ruas”, diz a pesquisadora, evidenciando a forte relação entre igreja e sociabilidade estabelecida na mente infantil. Muitas crianças, na faixa de 10 a 13 anos, relatavam ir à igreja com amigos ou colegas. Flávia Pires cita o desenho de um menino de 10 anos, que representou “Minha Religião” como um grande castelo onde havia pessoas em cada torre. Quando questionado sobre como seu desenho associava-se à religião, ele disse: “tem gente. E é bonito”, conta a antropóloga, reproduzindo a resposta do garoto.

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